Barulho e Estalido na Prótese: É Normal?

Por Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD —

Ouvir um clique, um estalo ou até um rangido na prótese assusta — mas na maioria das vezes é inofensivo. O que causa esses sons, quando são normais e os poucos casos em que vale comentar com a equipe.

Este artigo é informativo. Qualquer som que venha com dor ou insegurança deve ser avaliado pela sua equipe. Este texto ajuda a entender, não substitui essa avaliação.

Um dia você se movimenta e — clique. Ou um estalo. Ou até um leve rangido vindo da prótese. O coração acelera: "quebrou? soltou?". Respire: na imensa maioria das vezes, esses sons são inofensivos e fazem parte do funcionamento de uma articulação artificial. Este guia explica por que eles acontecem e quando, de fato, merecem atenção.

Ilustração anatômica da prótese total de quadril instalada: a cúpula ocupa o encaixe na bacia e a haste metálica desce dentro do fêmur
A prótese total de quadril no lugar: a cúpula substitui o encaixe na bacia e a haste é fixada dentro do fêmur. Ilustração: Servier Medical Art (CC BY-SA 3.0), recortada

1. Barulho na prótese é comum

Comecemos pelo dado que tranquiliza: fazer algum ruído é comum, não uma exceção preocupante. Um estudo sobre próteses de quadril de par cerâmico-cerâmico encontrou que 31,6% dos pacientes relataram algum ruído — estalos, cliques ou rangidos [1]. Ou seja, quase um em cada três, e a esmagadora maioria sem qualquer problema associado.

Faz sentido: uma prótese é uma articulação mecânica, com superfícies que deslizam uma sobre a outra. Assim como uma dobradiça ou um joelho natural podem estalar, a prótese também pode produzir sons ao se mover — sem que isso signifique dano.

2. Por que a prótese faz barulho

Os sons têm origens variadas, quase sempre banais:

  • Cliques e estalos podem vir do encaixe das superfícies, de tendões e músculos deslizando sobre a articulação, ou de pequenas bolhas de líquido (como o estalar dos dedos).
  • Rangidos são mais associados a certos tipos de material (como o par cerâmico) e determinadas posições, e costumam ser intermitentes.
  • Sons que aparecem em movimentos específicos e somem em seguida geralmente refletem apenas a mecânica daquele movimento.

O tipo de material e o desenho do implante influenciam a chance de ruído — mas ruído, isolado, não é sinônimo de problema.

3. Quando o barulho merece atenção

O som em si raramente é o problema. O que muda a conversa é a companhia dele. Vale comentar com a sua equipe se o barulho vier acompanhado de:

  • Dor no momento do som ou depois dele.
  • Sensação de instabilidade — de que a articulação "falha" ou sai do lugar.
  • Mudança na função — passar a mancar, travar ou perder movimento.
  • Um som que surge do nada, muito diferente do habitual, e persiste.

Nesses casos, não é para entrar em pânico — é apenas motivo para uma avaliação, dentro do que descrevemos em sinais de problema na prótese.

Quando comentar com a equipe

  • Dor no momento do som ou depois dele
  • Sensação de instabilidade, de que a articulação "falha" ou sai do lugar
  • Mudança na função: mancar, travar ou perder movimento
  • Som que surge do nada, muito diferente do habitual, e persiste

Não é para entrar em pânico; é motivo para avaliação com a equipe.

Prof. Dr. Daniel Fernandes · drfernandes.com.br

Os sinais que acompanham o ruído indicam quando buscar avaliação, em formato de alerta.

4. A leitura tranquila

Resumindo: um barulho isolado, sem dor e sem perda de função, quase sempre é parte normal de conviver com uma prótese — comum o suficiente para aparecer em quase um terço dos pacientes de certos tipos de implante [1]. Ele pode incomodar pelo susto ou pelo constrangimento, mas raramente indica um problema.

Se o som vier com dor ou insegurança, aí sim vale avaliar. Fora isso, é apenas a sua articulação nova trabalhando. A avaliação é exclusiva do seu médico, que examina o seu caso individual. Comece pelos guias completos da prótese de joelho e da prótese de quadril.

Referencias

  1. Zhang Y, Gao Y, Leng Y, et al. Factors Influencing Noise Following Primary Ceramic-on-Ceramic Total Hip Arthroplasty. J Arthroplasty. 2024;39(2):416-420. link

Perguntas Frequentes

É normal a prótese fazer barulho?

Sim, é comum. Um estudo com próteses de quadril de par cerâmico encontrou que 31,6% dos pacientes relataram algum ruído (estalos, cliques ou rangidos), a maioria sem problema associado [1]. Uma prótese é uma articulação mecânica e pode produzir sons ao se mover, sem que isso signifique dano.

O que causa os cliques e estalos na prótese?

Geralmente causas banais: o encaixe das superfícies, tendões e músculos deslizando sobre a articulação, ou pequenas bolhas de líquido (como o estalar dos dedos). Rangidos são mais associados a certos materiais, como o par cerâmico, e a algumas posições.

Barulho na prótese é sinal de que algo quebrou ou soltou?

Raramente. Um som isolado, sem dor e sem perda de função, quase sempre é parte normal de conviver com uma prótese. O que muda a conversa é quando o barulho vem acompanhado de dor, instabilidade ou mudança na função.

Quando devo comentar o barulho com o médico?

Quando ele vier acompanhado de dor, sensação de instabilidade (a articulação "falha"), mudança na função (mancar, travar, perder movimento), ou quando for um som muito diferente do habitual que surge do nada e persiste. Nesses casos, vale uma avaliação.

O rangido da prótese de cerâmica é perigoso?

O rangido é mais associado ao par cerâmico e a certas posições, e costuma ser intermitente e inofensivo. Como qualquer ruído, o que importa é se vem acompanhado de dor ou perda de função. Se for apenas o som, sem outros sintomas, geralmente não indica perigo — mas comente com a equipe se ele o incomoda.

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O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes dedica todo o seu tempo de trabalho a uma área só: o tratamento da artrose — o desgaste avançado — do quadril e do joelho, do tratamento sem cirurgia até a prótese total (artroplastia) e as cirurgias de revisão.

Ele não atende ombro, coluna, pé, mão ou cotovelo. Quem procura o consultório com essas queixas é orientado a buscar o profissional da área, sem uma consulta intermediária que não resolveria o problema.

O que essa dedicação significa na prática — formação, ensino, pesquisa e o que a ciência mostra sobre concentrar a prática: Totalmente especializado em quadril e joelho.