PRÓTESE DE QUADRIL E JOELHO · TRATAMENTO DA ARTROSE

Diagnóstico da artrose de joelho: clínica, radiografia e Kellgren-Lawrence

Os 3 pilares do diagnóstico, a classificação de gravidade e quando a ressonância agrega — e quando é desperdício.

Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD — Ortopedista Especialista em Quadril e Joelho | Professor de Cirurgia Ortopedica UFSC | CRM-SC | Florianopolis

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Os 3 pilares do diagnóstico

1. História clínica: dor mecânica, rigidez matinal curta, crepitação, limitação funcional progressiva.

2. Exame físico: avaliação de amplitude articular, crepitação à mobilização, derrame, deformidade, teste de instabilidade.

3. Radiografia em ortostase (em pé): é o exame de imagem padrão. Radiografia em decúbito (deitado) NÃO é adequada — pode subestimar a gravidade.

A combinação história + exame compatível basta para o diagnóstico em grande parte dos casos. A radiografia confirma e gradua. [101] [100]

Classificação de Kellgren-Lawrence (KL)

Escala de 0 a IV introduzida em 1957 e ainda referência internacional:

Grau 0: normal. Grau I: estreitamento duvidoso do espaço articular, osteófitos incipientes. Grau II: osteófitos definidos, possível estreitamento. Grau III: múltiplos osteófitos, estreitamento moderado, esclerose, possível deformidade. Grau IV: estreitamento grave, esclerose importante, deformidade.

Atenção à armadilha frequente: gravidade radiográfica e gravidade dos sintomas NÃO são perfeitamente correlacionadas. Pacientes com KL III podem ter pouca dor; pacientes com KL II podem ter dor intensa. A decisão clínica integra clínica + função + imagem. [105] [101]

Quando pedir ressonância (e quando NÃO)

Indicações legítimas: suspeita de lesão meniscal sintomática em joelho com radiografia pouco alterada, avaliação de causas não artrósicas (osteonecrose, fratura de estresse), planejamento pré-operatório específico.

Uso inapropriado: ressonância de rotina para confirmar artrose já evidente na radiografia. Além de custo alto, achados incidentais (degenerações meniscais, pequenos cistos) podem desviar a conduta para intervenções desnecessárias (artroscopia "limpeza") que NÃO têm benefício em artrose. [117] [100]

Critérios diagnósticos (visão geral)

O American College of Rheumatology (ACR) propõe critérios clínicos: dor mecânica + idade > 50 anos + rigidez matinal curta + crepitação + hipertrofia óssea + ausência de calor local. Úteis em atenção primária; a prática especializada integra história, exame e imagem para personalizar a conduta. [102]

Como interpretar o laudo

Um bom laudo descreve: espaço articular (preservado/reduzido), presença de osteófitos (em quais compartimentos), esclerose subcondral, cistos ósseos, alinhamento (varo/valgo), grau KL global e por compartimento (medial/lateral/femoropatelar).

Informação que o ortopedista quer: compartimento mais acometido (medial é o mais comum), grau KL, alinhamento mecânico. [105]

Perguntas frequentes

Preciso fazer ressonância para diagnosticar artrose?

Não rotineiramente. A combinação história clínica + exame + radiografia em pé basta na maioria dos casos. Ressonância só em situações específicas.

Radiografia deitado serve?

Não. Para artrose, a radiografia precisa ser em ortostase (em pé, com carga). Em decúbito, subestima o estreitamento do espaço articular.

Artrose grau IV sempre precisa operar?

Não. A decisão cirúrgica depende de dor + limitação funcional + falha do tratamento conservador — não do grau isolado da radiografia.

Kellgren-Lawrence é confiável?

É a escala mais usada há quase 70 anos, tem boa reprodutibilidade quando aplicada por radiologistas treinados e é a referência em estudos e diretrizes.

Leitura complementar

Referencias

  1. American College of Rheumatology. 2026 Update of the ACR Recommendations for the Management of Osteoarthritis of the Knee, Hip, and Hand. Publicada em 14 de setembro de 2026. link
  2. Kellgren JH, Lawrence JS. Radiological assessment of osteo-arthrosis. Ann Rheum Dis. 1957;16(4):494-502. PMID: 13498604
  3. Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. PMID: 31278997
  4. Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019;393(10182):1745-1759. PMID: 31034380
  5. Thorlund JB, Juhl CB, Roos EM, Lohmander LS. Arthroscopic surgery for degenerative knee: SR and meta-analysis. BMJ. 2015;350:h2747. PMID: 26080045
  6. American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty) — Evidence-Based Clinical Practice Guideline. 3rd ed. 2021. link

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