PRÓTESE DE QUADRIL E JOELHO · TRATAMENTO DA ARTROSE

Diagnóstico da artrose de quadril: exame clínico e imagem

Os 3 pilares (história, exame, radiografia), testes provocativos FADIR e FABER, e quando a ressonância muda a conduta.

Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD — Ortopedista Especialista em Quadril e Joelho | Professor de Cirurgia Ortopedica UFSC | CRM-SC | Florianopolis

PRÓTESE DE QUADRIL E JOELHO · TRATAMENTO DA ARTROSE

Pilar 1 — História clínica

Perfil típico: dor mecânica na virilha, irradiação anterior, limitação funcional progressiva, rigidez matinal curta, crepitação, claudicação (mancar).

Antecedentes relevantes: displasia do desenvolvimento, impacto femoroacetabular, trauma prévio, cirurgia prévia no quadril, uso de corticoide (risco de osteonecrose). [100] [103]

Pilar 2 — Exame físico

Inspeção: claudicação (Trendelenburg), atrofia glútea, postura antálgica.

Amplitude: redução precoce de rotação interna e flexão é sinal sensível.

Testes provocativos: FADIR (flexão + adução + rotação interna) reproduz dor em artrose e em impacto. FABER (flexão, abdução, rotação externa) avalia quadril e sacroilíaca.

Marcha: encurtamento de passada do lado afetado, mancar. [103] [100]

Pilar 3 — Radiografia AP da bacia + perfil

Exame de imagem padrão. Achados: estreitamento do espaço articular (mais frequente superolateral), esclerose subcondral, cistos, osteófitos acetabulares e femorais.

Escalas: Kellgren-Lawrence (0-IV) e Tönnis (0-III) — ambas com boa reprodutibilidade em avaliadores treinados.

Avaliação complementar: offset femoral, centro de rotação, anteversão — importante para planejamento cirúrgico quando se cogitar prótese. [105] [104]

Dois quadris lado a lado: à esquerda o normal, com espaço uniforme entre a cabeça do fêmur e a bacia; à direita o quadril com artrose avançada, em que esse espaço desapareceu na parte de cima, com saliências de osso na borda e o osso mais branco logo abaixo da superfície
O que o médico procura na radiografia. À esquerda, o quadril normal: há um espaço claro e uniforme entre a cabeça do fêmur e a bacia — é a cartilagem, que não aparece na radiografia, mas ocupa aquele lugar. À direita, a artrose avançada: na parte de cima o espaço sumiu e os dois ossos se encostam, cresceram saliências de osso na borda, e o osso logo abaixo ficou mais branco, com pequenas bolhas dentro. Ilustração — não é a radiografia de um paciente. Ilustração própria do consultório do Prof. Dr. Daniel Fernandes, gerada por IA e conferida por ele (2026)

Quando pedir ressonância

Suspeita de osteonecrose (fator de risco + dor desproporcional ao grau radiográfico).

Artrose inicial com dor intensa para avaliar cartilagem e labrum.

Pré-operatório em casos complexos (revisão, deformidade).

Fora dessas indicações, ressonância de rotina em artrose evidente é desperdício. [103]

O que um bom laudo deve descrever

Espaço articular (preservado/reduzido — superolateral, superior, medial), osteófitos (acetabulares, cabeça-colo), esclerose, cistos, alinhamento (offset, anteversão), classificação KL e Tönnis, presença de osteonecrose.

Perguntas frequentes

Preciso de ressonância para diagnosticar artrose de quadril?

Geralmente não. Radiografia AP da bacia + perfil é suficiente na grande maioria dos casos. Ressonância em situações específicas (osteonecrose, pré-operatório complexo).

Rotação interna limitada do quadril é sinal precoce?

Sim. A redução da rotação interna é um dos sinais mais precoces e sensíveis de artrose de quadril.

O que é o teste FADIR?

Flexão + adução + rotação interna do quadril. Reproduz dor na virilha em artrose e em impacto femoroacetabular (FAI).

Kellgren-Lawrence ou Tönnis, qual é melhor?

Ambas são usadas. KL é mais consagrada globalmente; Tönnis é comum em cirurgia do quadril. Não existe "a melhor", existe aplicada corretamente.

Leitura complementar

Referencias

  1. Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019;393(10182):1745-1759. PMID: 31034380
  2. Ferguson RJ, Palmer AJ, Taylor A, et al. Hip replacement. Lancet. 2018;392(10158):1662-1671. PMID: 30496081
  3. Kellgren JH, Lawrence JS. Radiological assessment of osteo-arthrosis. Ann Rheum Dis. 1957;16(4):494-502. PMID: 13498604
  4. Rees HW. AAOS Clinical Practice Guideline: Management of Osteoarthritis of the Hip. J Am Acad Orthop Surg. 2020;28(7):e288-e291. PMID: 31800437
  5. Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. PMID: 31278997
  6. American College of Rheumatology. 2026 Update of the ACR Recommendations for the Management of Osteoarthritis of the Knee, Hip, and Hand. Publicada em 14 de setembro de 2026. link

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