Infiltração no Joelho e Quadril: PRP, Ácido Hialurônico ou Corticoide — Qual Funciona Melhor?

Por Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD —

Comparação entre os três tipos de infiltração, com base em cinco revisões sistemáticas recentes, incluindo uma análise de segurança com 76.061 pacientes.

Você já foi ao ortopedista e ouviu que precisa de uma infiltração no joelho ou no quadril? Se ficou confuso, saiba que é uma dúvida muito comum. Existem pelo menos três tipos principais de injeção articular — e eles não são iguais. Cada um tem um mecanismo diferente, uma duração diferente e evidências científicas de qualidades diferentes. Neste artigo, vamos comparar o que a ciência mais recente diz sobre cada tipo.

Duas seringas com plasma rico em plaquetas seguradas por mão enluvada em campo cirúrgico azul
O PRP é obtido do sangue do próprio paciente: a centrifugação separa o plasma amarelo, rico em plaquetas, do resto — é essa fração concentrada que se aplica na articulação. Foto: Pexels

O que é cada tipo de infiltração?

A infiltração articular é uma injeção aplicada diretamente dentro da articulação. O corticoide é o mais antigo — anti-inflamatório potente com alívio rápido. O ácido hialurônico funciona como lubrificante articular, com efeito gradual ao longo de semanas. O PRP (plasma rico em plaquetas) é produzido do seu próprio sangue e contém fatores de crescimento que, em laboratório, estimulam células da cartilagem — um mecanismo promissor, cujo efeito em pacientes ainda não está demonstrado.

O que a ciência diz: qual funciona melhor?

Uma meta-análise em rede na Arthroscopy analisou 48 estudos com 9.338 joelhos: o PRP teve SUCRA de 91,54% como melhor tratamento para dor e função. Uma segunda meta-análise na Front Med confirmou com infiltrações guiadas por ultrassom, em artrose inicial e intermediária: PRP com os maiores valores em cada desfecho: 85,9% para o escore total, 78,6% para dor, 93,2% para rigidez e 90,9% para função, em 14 ensaios com 934 pacientes. Estudo na EFORT Open Reviews com 35 ensaios e 3.348 pacientes mostrou superioridade clinicamente relevante do PRP sobre o corticoide nos seguimentos intermediário e longo. É preciso registrar o outro lado: essas comparações ranqueiam tratamentos entre si, e o ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo publicado na JAMA, com 288 pacientes, não encontrou diferença entre o PRP e uma injeção de soro fisiológico, nem na dor nem na cartilagem, aos doze meses.

O que a ciência diz: qual funciona melhor?

FonteResultado
Meta-análise em rede (48 estudos, 9.338 joelhos)PRP teve SUCRA de 91,54% como melhor tratamento para dor e função.
Meta-análise com infiltrações guiadas por ultrassom (14 ensaios, 934 pacientes)PRP com maiores valores: 85,9% escore total, 78,6% dor, 93,2% rigidez e 90,9% função.
EFORT Open Reviews (35 ensaios, 3.348 pacientes)Superioridade clinicamente relevante do PRP sobre corticoide nos seguimentos intermediário e longo.
Ensaio randomizado duplo-cego controlado por placebo (JAMA, 288 pacientes)Não encontrou diferença entre PRP e soro fisiológico na dor nem na cartilagem aos doze meses.

As comparações ranqueiam tratamentos entre si, mas o ensaio randomizado não encontrou diferença entre PRP e placebo.

Prof. Dr. Daniel Fernandes · drfernandes.com.br

A tabela põe os números de eficácia lado a lado, permitindo comparar fontes que o texto corrido mistura.

Segurança: qual causa menos efeitos colaterais?

Revisão de segurança da ESSKA (KSSTA, 2025) incluiu 848 estudos; os 559 que relataram efeitos adversos somaram 76.061 pacientes. É um trabalho sobre segurança, e não sobre eficácia, classificado pelos próprios autores como nível IV de evidência. Taxas de efeitos adversos: PRP 8,7% (menor), ácido hialurônico 10,5%, corticoide 11,0% (maior). Efeitos graves foram raros em todos: 0,3% PRP, 0,7% ácido hialurônico, 1,1% corticoide.

Onde cada tipo de infiltração é explicado em detalhe

Esta página compara os três. Cada um tem uma página só dele, com os estudos abertos: o PRP no joelho funciona?, quantas aplicações de PRP são necessárias e ácido hialurônico e corticoide na artrose de joelho. Para o quadril, a infiltração tem particularidades próprias e está em PRP na artrose de quadril.

E o corticoide? Ainda tem lugar?

Sim. Revisão das diretrizes internacionais na Osteoarthritis and Cartilage mostra que as diretrizes de maior qualidade recomendam de forma consistente a infiltração de corticoide no joelho, e recomendam consistentemente contra o ácido hialurônico no quadril e as células-tronco no quadril e no joelho. O PRP não está entre os tratamentos que essa revisão encontrou recomendados de forma consistente. Porém, seu efeito é temporário. As diretrizes destacam que exercício, educação e controle de peso são os pilares fundamentais — independente da infiltração.

O que isso significa para você?

Entre as injeções, o PRP é o que aparece melhor colocado nas comparações indiretas de dor e função a partir de seis meses, e é o de menor taxa de efeitos adversos. Isso não é o mesmo que ter a melhor evidência: um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo não encontrou vantagem do PRP, e a maioria das diretrizes clínicas não recomenda o PRP para a artrose do joelho, por falta de evidência de alta qualidade. O ácido hialurônico continua válido. O corticoide é útil em crises. A segurança é boa em todas as opções. Nenhuma infiltração substitui exercício e controle de peso — primeira linha em todas as diretrizes. A escolha deve ser individualizada com seu ortopedista.

Referencias

  1. Bennell KL, Paterson KL, Metcalf BR, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(20):2021-2030. link
  2. Jawanda H et al. Platelet-Rich Plasma, Bone Marrow Aspirate Concentrate, and Hyaluronic Acid Injections Outperform Corticosteroids in Pain and Function Scores at a Minimum of 6 Months. Arthroscopy. 2024;40(5):1623-1636. link
  3. Zhang J et al. Efficacy of ultrasound-guided intra-articular injection in the treatment of knee osteoarthritis: a network meta-analysis. Front Med (Lausanne). 2025;12:1700950. link
  4. Bensa A et al. Safety profile comparison of intra-articular corticosteroids, hyaluronic acid, platelet-rich plasma, and cell-based injections for knee osteoarthritis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2025. link
  5. Bensa A et al. Corticosteroid injections for knee osteoarthritis offer clinical benefits similar to hyaluronic acid and lower than platelet-rich plasma. EFORT Open Rev. 2024;9(9):883-895. link
  6. Gibbs AJ et al. Recommendations for the management of hip and knee osteoarthritis: A systematic review of clinical practice guidelines. Osteoarthritis Cartilage. 2023;31(10):1280-1292. link

Perguntas Frequentes

Infiltração no joelho dói muito?

O desconforto costuma ser leve e passageiro. A maioria dos pacientes descreve como uma pressão rápida. Quando guiada por ultrassom, a precisão aumenta e o desconforto tende a ser ainda menor.

Quantas sessões de PRP são necessárias?

Os protocolos mais estudados utilizam de 1 a 3 aplicações, com intervalo de uma semana. Há estudos sugerindo vantagem com três aplicações, mas o ponto ainda não está definido. O número ideal deve ser definido pelo seu ortopedista.

O plano de saúde cobre PRP?

Na maioria dos planos brasileiros, o PRP ainda não tem cobertura obrigatória pela ANS. Corticoide e, em alguns casos, ácido hialurônico podem ter cobertura. Verifique com sua operadora.

Infiltração substitui a cirurgia de prótese?

Não necessariamente. Em artrose leve a moderada, pode ajudar a controlar sintomas e adiar cirurgia. Em casos avançados, a prótese pode ser mais adequada. A decisão é individualizada.

Posso fazer infiltração no quadril também?

Sim. Todas as opções podem ser aplicadas no quadril. A infiltração guiada por ultrassom ou fluoroscopia é especialmente importante no quadril, pois a articulação é mais profunda.

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Ele não atende ombro, coluna, pé, mão ou cotovelo. Quem procura o consultório com essas queixas é orientado a buscar o profissional da área, sem uma consulta intermediária que não resolveria o problema.

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