PRP no Joelho Funciona? O Que a Ciência Recente Diz na Artrose

Por Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD —

Um dos tratamentos mais procurados para a artrose do joelho promete aliviar a dor sem cirurgia. Reunimos os estudos mais recentes, publicados até 2026, para responder com honestidade: o PRP funciona mesmo?

Este artigo é informativo. As decisões sobre qualquer tratamento envolvem a avaliação da sua equipe médica — que considera seus exames, suas outras doenças, suas expectativas e o seu caso individual. Nenhum texto substitui essa conversa.

Você convive com a dor da artrose no joelho há um tempo. Já tomou anti-inflamatório, já fez fisioterapia, e ouviu de um amigo — ou viu em um anúncio — que existe uma injeção feita com o seu próprio sangue, capaz de "regenerar" a articulação e adiar a prótese. O nome é PRP. É um tratamento particular, normalmente não coberto pelos planos de saúde, e a pergunta que fica é simples: será que funciona mesmo?

Essa é uma das dúvidas que mais escuto. E ela merece uma resposta honesta, baseada nos estudos mais recentes — não no entusiasmo do marketing, nem na rejeição automática ao que é novo. A boa notícia é que, nos últimos anos, pesquisadores realizaram estudos grandes sobre o PRP no joelho, e hoje temos um retrato mais claro do que sabemos — e do que ainda não sabemos.

Duas seringas com plasma rico em plaquetas seguradas por mão enluvada em campo cirúrgico azul
O PRP é obtido do sangue do próprio paciente: a centrifugação separa o plasma amarelo, rico em plaquetas, do resto — é essa fração concentrada que se aplica na articulação. Foto: Pexels

O que é o PRP e por que ele se popularizou?

PRP é a sigla, em inglês, para "plasma rico em plaquetas". É uma injeção preparada com o sangue do próprio paciente. Tira-se uma amostra de sangue, coloca-se em uma máquina que gira em alta velocidade — a centrífuga — para separar as camadas, e isola-se a parte rica em plaquetas. Essa fração concentrada é então injetada dentro da articulação do joelho.

Por que isso poderia funcionar? Porque as plaquetas não servem só para coagular o sangue: elas carregam pequenos pacotes de substâncias chamadas fatores de crescimento. Em laboratório, esses fatores estimulam a multiplicação de células e a produção de cartilagem, reduzem marcadores de inflamação e podem proteger as células da cartilagem contra a morte precoce [14]. A ideia é criar dentro do joelho um ambiente mais favorável. A racional biológica é atraente — e foi ela que popularizou o PRP nas últimas duas décadas. Mas, em medicina, uma boa teoria não basta: o que vale é o que acontece nos pacientes de verdade.

O PRP reconstrói a cartilagem já perdida?

Esta é a pergunta que mais gera confusão — e o ponto onde mais se vende ilusão. A resposta honesta tem dois lados, e os dois têm base na ciência.

Não: o PRP não reconstrói a cartilagem já perdida. Em um ensaio clínico randomizado de 2021, o volume de cartilagem, medido por ressonância ao longo de um ano, evoluiu praticamente igual com PRP e com placebo [1]. Não há evidência de que o PRP faça "cartilagem nova". Quem procura o tratamento esperando regenerar o que o desgaste já consumiu está esperando algo que a ciência ainda não sustenta.

Mas: ele pode atuar sobre o ambiente interno da articulação. É aqui que está a promessa biológica. Estudos de laboratório mostram que o PRP reduz o "envelhecimento" das células da cartilagem — um processo chamado senescência, que acelera a degradação da articulação — além de diminuir marcadores de inflamação [14][15]. Em um modelo animal, a injeção de PRP melhorou o aspecto da cartilagem desgastada [15]. Isso é coerente com os fatores de crescimento liberados pelas plaquetas.

A ponderação obrigatória: "melhorar o ambiente da articulação" é uma afirmação de mecanismo biológico — não uma promessa de cura. Esses achados são de laboratório e de animais; não são, ainda, o resultado medido em pacientes [15]. E no desfecho que mais importa para você — dor e função ao longo do tempo — o ensaio randomizado de 2021 não encontrou vantagem do PRP sobre o placebo [1]. Em uma frase: mecanismo promissor, eficácia ainda não demonstrada.

As meta-análises mostram alívio da dor?

Nos últimos anos, várias meta-análises — estudos que juntam os resultados de vários outros estudos — analisaram o PRP no joelho, e seria desonesto esconder o que elas encontraram. Em geral, apontam para um possível benefício, mas sempre com ressalvas importantes sobre a confiança nesse resultado.

Uma meta-análise europeia de 2025 reuniu 18 ensaios clínicos e quase 2.000 pacientes e encontrou que o PRP superou o placebo no alívio da dor e na melhora da função, com diferença grande o suficiente para o paciente perceber [2]. Mas a própria pesquisa trouxe um detalhe decisivo: esse benefício consistente apareceu sobretudo com o PRP de alta concentração de plaquetas — acima de um milhão por microlitro; o de baixa concentração não trouxe alívio de dor que o paciente realmente sentisse [2]. Outras pesquisas confirmam que a quantidade de plaquetas injetada se associa ao tamanho do efeito [9][16]. Ou seja: "PRP" de qualidades diferentes produz resultados diferentes.

Uma análise de 2024 comparou lado a lado as principais injeções usadas no joelho — somando 48 estudos e mais de 9.000 joelhos — e o PRP apareceu à frente do ácido hialurônico (uma injeção lubrificante) e da cortisona na probabilidade de aliviar a dor e melhorar a função em pelo menos seis meses [3]. Uma revisão conduzida por pesquisadores brasileiros, do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a Universidade de Pittsburgh, encontrou que o PRP foi pelo menos tão eficaz quanto as outras opções — mas, com honestidade, os autores ressaltaram que a qualidade dos estudos era baixa e que, por isso, ainda não dá para recomendá-lo com segurança para todo mundo [4].

E aqui vem a ressalva que dá o tom: uma meta-análise de 2026 que reuniu estudos com pelo menos doze meses de acompanhamento concluiu que, embora exista um sinal de benefício, a confiança nesse sinal é muito baixa, por causa das grandes diferenças entre as pesquisas [6]. Em ciência, "existe um sinal, mas a certeza é muito baixa" é bem diferente de "está provado".

Por que num estudo o PRP empatou com o placebo?

Em 2021, a revista JAMA publicou o ensaio chamado RESTORE — um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo sobre PRP no joelho [1]. Foram 288 pacientes com 50 anos ou mais, todos com artrose leve a moderada [1]. Metade recebeu três injeções de PRP; a outra metade recebeu três injeções de soro fisiológico — ou seja, um placebo, uma injeção sem efeito, usada só para comparação [1].

"Duplo-cego" quer dizer que nem o paciente, nem o médico que aplicava, nem quem avaliava o resultado sabiam quem tinha recebido o quê [1]. Esse cuidado existe para eliminar a sugestão psicológica — afinal, qualquer injeção no joelho tende a aliviar um pouco, simplesmente porque o paciente acredita que está sendo tratado.

Depois de doze meses, a dor melhorou nos dois grupos — só que praticamente na mesma medida: a redução foi de 2,1 pontos no grupo do PRP contra 1,8 ponto no grupo do placebo, uma diferença pequena demais para ter significado [1]. A cartilagem também se comportou de forma equivalente nos dois grupos [1]. Em trinta e um desfechos secundários avaliados, vinte e nove não mostraram diferença entre PRP e placebo [1]. Os autores concluíram, textualmente, que os achados "não apoiam o uso do PRP no tratamento da artrose do joelho" [1].

Aqui entra uma ponderação que não pode faltar: esse ensaio é de 2021. A ciência sobre o PRP não parou desde então — boa parte dos estudos que vimos acima é de 2024, 2025 e 2026. Por isso, esse resultado precisa ser lido lado a lado com os mais recentes, e não tratado como a palavra final sobre o assunto. E justamente porque a evidência ainda está evoluindo, a postura mais honesta é a cautela: por enquanto, não se pode cravar que o PRP funciona, nem que não funciona — é uma questão em aberto, que se decide caso a caso, com o seu médico.

Por que uns dizem que funciona e outros não?

Como pode um ensaio rigoroso dizer "empatou com o placebo" enquanto várias meta-análises dizem "parece funcionar"? Não é a ciência se contradizendo por descuido — há explicações concretas, e entendê-las ajuda você a interpretar qualquer promessa que ouvir.

Primeiro: "PRP" não é uma coisa só. É uma categoria que abriga preparações muito diferentes entre si — variam na concentração de plaquetas, no volume injetado, no número de centrifugações e na presença ou ausência de glóbulos brancos [16][17]. Comparar o "PRP" de um estudo com o de outro pode ser tão impreciso quanto comparar dois "remédios para pressão" sem dizer de qual tipo se trata. A descoberta de que a concentração de plaquetas muda o resultado é coerente com isso [2][16].

O exemplo mais claro disso são os glóbulos brancos. Ao preparar o PRP, pode-se optar por manter ou remover os glóbulos brancos — os leucócitos, as células de defesa do sangue —, obtendo uma formulação rica ou pobre neles — e essa escolha, feita no laboratório, aparece no resultado do paciente. Uma meta-análise de 18 ensaios clínicos com mais de 1.600 pessoas encontrou melhor pontuação de função com o PRP pobre em glóbulos brancos do que com o rico [18]. Outra revisão, de 24 ensaios e 1.344 pacientes, encontrou o mesmo na dor: o efeito analgésico do PRP pobre em glóbulos brancos foi maior [19].

Isso significa que dois estudos podem testar "PRP no joelho", chegar a conclusões opostas, e ambos estarem certos — porque não testaram a mesma coisa. Some-se a isso o número de aplicações, a ativação ou não do preparado, e com o que o PRP foi comparado (soro fisiológico, ácido hialurônico ou cortisona), e fica claro por que a literatura não converge. Uma revisão de 2025 que analisou 40 estudos de alta qualidade afirma exatamente isso: a variação nas formulações, nos protocolos de aplicação e no tempo de acompanhamento limita a comparação direta entre os estudos [20].

Segundo: nem todo estudo tem a mesma qualidade. Muitos trabalhos sobre PRP são pequenos e não usam o mesmo cegamento rigoroso do ensaio de 2021. Quando se juntam estudos frágeis com estudos robustos, a média que aparece pode ser otimista demais. Por isso a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa pelos próprios autores das revisões [6][9].

Terceiro: existe um viés de divulgação. Uma investigação de 2026 analisou os resumos de dezenas de revisões sobre PRP e encontrou que 92% deles enfatizavam o lado positivo além do que os dados completos sustentavam [8]. Isso significa que o médico ou o paciente que lê apenas o resumo — a maioria das pessoas — recebe uma impressão mais favorável do que a realidade [8].

Vale um cuidado extra com uma análise de 2026 que reuniu 62 estudos e quase 5.000 pacientes e descreveu o PRP como superior às outras injeções [9]. Ela é honesta ao declarar algo que você merece saber: vários de seus autores têm vínculo comercial com uma empresa que vende tratamentos de PRP [9]. Isso não invalida a pesquisa, mas é uma informação que deve pesar na hora de interpretar um resultado tão entusiasmado — exatamente como os próprios autores reconhecem ao declarar o conflito de interesse [9].

O que dizem as diretrizes médicas sobre o PRP?

Aqui é preciso ser direto, porque essa informação é sua por direito: a diretriz americana mais recente é contra o PRP, e não com meias palavras.

Em 14 de setembro de 2026, o Colégio Americano de Reumatologia e a Arthritis Foundation publicaram a atualização da diretriz de artrose e classificaram o PRP como recomendação forte contra o uso na artrose de joelho e quadril [10]. É a posição mais firme que uma diretriz pode tomar contra um tratamento — e não é novidade: a versão anterior, de 2019, já recomendava fortemente contra o PRP no joelho e no quadril [21]. A atualização de 2026 manteve essa posição [10]. A diretriz da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) registra a necessidade de pesquisas de melhor qualidade antes de uma recomendação firme [12], e uma revisão de 2023 que comparou diretrizes de vários países mostrou o mesmo padrão [13]: o que todas as diretrizes de maior qualidade recomendam de forma consistente é educação, exercício e controle de peso [11][13].

E no Brasil o cenário é outro. A Resolução CFM nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho de 2026, autoriza expressamente o uso do PRP na osteoartrite de joelho. Ou seja: o tratamento é permitido aqui, com respaldo do conselho profissional, ao mesmo tempo em que a principal sociedade americana de reumatologia recomenda fortemente contra. As duas afirmações são verdadeiras e convivem — autorizar um procedimento não é o mesmo que recomendá-lo, e cabe ao médico e ao paciente decidirem juntos, caso a caso.

Eu faço esse procedimento, e cada caso é discutido com as peculiaridades individuais de cada paciente. Converse com o seu médico sobre os prós, os contras e as expectativas que você pode ter — é na consulta, com o seu exame e a sua história, que essa decisão se toma.

Por que uma sociedade médica séria diz "não" enquanto meta-análises sérias mostram benefício? Porque as diretrizes exigem evidência consistente e reprodutível, e é exatamente a consistência que falta — pelas razões da seção anterior: o PRP não é um produto único, e protocolos diferentes produzem resultados diferentes. Diretriz é o lado deliberadamente cauteloso da discussão; ela só muda quando a evidência para de divergir.

A leitura honesta, portanto, é esta: o PRP não é tratamento de primeira linha, não substitui exercício e controle de peso, e não é solução definitiva: a ciência hoje não sustenta essa promessa. Isso não é o mesmo que dizer que ele não tem lugar nenhum — é dizer que o lugar dele é estreito: depois do que tem evidência mais forte, nunca antes, e discutido caso a caso. Mais adiante eu digo, com o máximo de clareza que a ciência permite hoje, em quem esse lugar existe — e em quem não existe.

Uma palavra para quem já fez PRP e está lendo isto. Se o seu joelho melhorou, essa melhora é real e é sua — nada aqui a desmente. O que a ciência ainda não conseguiu provar é que ela venha do PRP e não do conjunto: a injeção em si, o tempo que passou, a fisioterapia que veio junto [1][13]. E se não melhorou, você não fez nada de errado nem foi ingênuo: escolheu uma opção que o conselho profissional autoriza e que parte dos estudos apoia. O passo seguinte não é se arrepender do que passou — é decidir o próximo com a informação que está aqui.

O PRP é seguro?

Sim — esse é um ponto tranquilizador. Uma análise de segurança de 2026 reuniu 32 estudos e mais de 1.200 joelhos tratados com PRP e não encontrou nenhum efeito adverso grave [7]. Os efeitos colaterais foram leves e passageiros: o mais comum foi dor e inchaço no joelho logo após a injeção, em cerca de 19% dos casos [7].

Há, no entanto, uma nuance prática sobre o tipo de preparação. O PRP rico em glóbulos brancos provocou mais dor e inchaço logo após a injeção do que o ácido hialurônico, enquanto o PRP pobre em glóbulos brancos teve um perfil de segurança parecido com o dele [7]. Quanto à eficácia, uma análise de 2026 comparou os dois tipos e concluiu que ambos superam o ácido hialurônico, sem diferença clara entre si — não há evidência suficiente para eleger uma das formulações [17]. Na prática, vale conversar com seu médico sobre qual preparação seria usada no seu caso.

O que tem evidência mais consistente do que o PRP?

Seria injusto falar do PRP sem te lembrar do que funciona com base sólida — e que, muitas vezes, é mais acessível. As diretrizes do mundo todo concordam em recomendar, como primeira linha:

  • Exercício orientado. Fortalecer a musculatura ao redor do joelho e manter atividade física regular tem benefício demonstrado em centenas de estudos, e é recomendação de força máxima nas diretrizes [10][13]. É acessível, seguro e melhora dor, função e qualidade de vida.
  • Controle do peso. Quando há excesso de peso, emagrecer é uma das medidas de maior impacto sobre a dor do joelho, e está nas recomendações fortes das diretrizes [10].
  • Educação sobre a doença e fisioterapia. Entender o que é a artrose, o que melhora e o que piora, com acompanhamento profissional, tem efeito próprio nos resultados [13].
  • Infiltração de cortisona, em casos de crise de dor, tem efeito de curto prazo bem documentado, embora não mude o curso da doença [10].

O PRP, no estado atual da evidência, não substitui nenhuma dessas medidas. No máximo, pode ser considerado como uma tentativa adicional e individualizada — não como um atalho que pula as etapas com evidência consistente. Para se aprofundar, veja o guia de tratamento conservador da artrose de joelho e a comparação entre os tipos de infiltração no joelho.

Quando o PRP pode fazer sentido no seu caso?

Existe um cenário em que conversar sobre PRP é legítimo? Sim. Para um paciente com artrose leve a moderada que já tentou de forma consistente os tratamentos com evidência sólida — exercício supervisionado por tempo adequado, controle de peso, fisioterapia — e ainda assim mantém dor incômoda, o PRP pode entrar como uma opção a ser discutida, dentro de uma decisão compartilhada, ciente de que o benefício é incerto e de que as análises sugerem benefício sobretudo com a preparação de alta concentração [2][5].

O contrário também é verdadeiro: em quem nunca tentou o básico, ou em quem tem artrose muito avançada (na qual a evidência do PRP é ainda mais frágil), oferecer o PRP como primeira opção é colocar o carro na frente dos bois. A decisão sobre qual tratamento usar no seu caso é do seu médico, que avalia o conjunto — seus exames, suas outras condições de saúde e suas expectativas. Se a artrose já é avançada e a dor limita o dia a dia mesmo com tratamento bem feito, o passo seguinte pode ser conversar sobre a prótese de joelho.

Se o PRP for uma possibilidade no seu caso, estes são bons assuntos para conversar com o seu médico — não para cobrar dele, mas para que vocês decidam juntos com tudo na mesa:

  • Já esgotamos o que tem evidência mais sólida? Exercício orientado por pelo menos três meses, perda de peso quando indicada, fisioterapia.
  • Como o PRP entraria no meu plano de cuidado? Ele acompanha o restante do tratamento ou substituiria alguma coisa?
  • Qual seria o protocolo? Concentração de plaquetas, tipo de preparação e número de aplicações — as análises associam o benefício sobretudo à alta concentração de plaquetas [2].
  • O que é razoável eu esperar, e em quanto tempo? E o que fazemos se não funcionar?

Não existe uma resposta única e certa para todos. Existe decisão informada — e ela depende de você receber essa informação completa antes de começar. Procure avaliação médica se a dor no joelho está piorando mesmo com exercício e acompanhamento, se há inchaço persistente, travamento, ou se a dor já limita suas atividades do dia a dia.

Referencias

  1. Bennell KL, Paterson KL, Metcalf BR, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(20):2021-2030. link
  2. Bensa A, Previtali D, Sangiorgio A, et al. PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: The Improvement Is Clinically Significant and Influenced by Platelet Concentration: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Sports Med. 2025;53(3):745-754. link
  3. Jawanda H, Khan ZA, Warrier AA, et al. PRP, Bone Marrow Aspirate Concentrate, and Hyaluronic Acid Injections Outperform Corticosteroids in Pain and Function at a Minimum of 6 Months for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Network Meta-analysis. Arthroscopy. 2024;40(5):1623-1636. link
  4. Costa LAV, Lenza M, Irrgang JJ, Fu FH, Ferretti M. How Does Platelet-Rich Plasma Compare Clinically to Other Therapies in the Treatment of Knee Osteoarthritis? A Systematic Review and Meta-analysis. Am J Sports Med. 2023;51(4):1074-1086. link
  5. Ventura-García MÁ, Parrón-Carreño T, Lozano-Paniagua D, et al. Efficacy and Safety of Platelet-Rich Plasma in Knee Osteoarthritis: Umbrella Meta-Analysis Based on Clinical Evidence, Methodological Quality and Therapeutic Positioning. Clin Pract. 2026;16(4):75. link
  6. Oka T, Kitagawa T, Nasu T, et al. Clinical Outcomes of Biologic Therapies for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Studies With at least 12-Month Follow-up. Mod Rheumatol. 2026. link
  7. Nakagawa HF, Kim J, Rabinowitz J, Sussman WI. Assessment of adverse events and safety associated with intra-articular platelet-rich plasma injections compared to other injectates for knee osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis. PM R. 2026. link
  8. Fullano GD, Greenstein MD, Klosterman EL, Hartwell MJ. Statistically Significant Results Favored in Abstracts of Platelet Rich Plasma Treatment of Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Spin Analysis. Arthroscopy. 2026;42(1):349-360. link
  9. Centeno CJ, Berger DR, Pelle AJ, et al. Autologous platelet-rich plasma versus hyaluronic acid, corticosteroids or saline for knee osteoarthritis: can blood draw volume serve as a proxy for platelet dose? A systematic review and meta-analysis. Int Orthop. 2026;50(5):981-997. (Os autores declaram vínculo comercial com a empresa Regenexx.) link
  10. American College of Rheumatology / Arthritis Foundation. 2026 Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Publicada em 14 de setembro de 2026. link
  11. Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. link
  12. Brophy RH, Fillingham YA. AAOS Clinical Practice Guideline Summary: Management of Osteoarthritis of the Knee (Nonarthroplasty), Third Edition. J Am Acad Orthop Surg. 2022;30(9):e721-e729. link
  13. Gibbs AJ, Gray B, Wallis JA, et al. Recommendations for the management of hip and knee osteoarthritis: A systematic review of clinical practice guidelines. Osteoarthritis Cartilage. 2023;31(10):1280-1292. link
  14. Moussa M, Lajeunesse D, Hilal G, et al. Platelet rich plasma (PRP) induces chondroprotection via increasing autophagy, anti-inflammatory markers, and decreasing apoptosis in human osteoarthritic cartilage. Exp Cell Res. 2017;352(1):146-156. link
  15. Zhang JY, Xiang XN, Wang XX, et al. Effects of Platelet-Rich Plasma on Chondrocyte Senescence and Knee Osteoarthritis Progression. Am J Sports Med. 2026;54(4):831-847. link
  16. Hooper N, Shapiro S, Paidsetty V, et al. Platelet-rich plasma outcomes in knee osteoarthritis are associated with the amount of total deliverable platelets: A systematic review and meta-analysis. PM R. 2026;18(2):210-222. link
  17. Xu B, Huang X, Su X, et al. Leukocyte-rich versus leukocyte-poor platelet-rich plasma and hyaluronic acid for knee osteoarthritis: a systematic review and network meta-analysis. J Orthop Surg Res. 2026;21(1). link
  18. Belk JW, Kraeutler MJ, Houck DA, Goodrich JA, Dragoo JL, McCarty EC. Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Sports Med. 2021;49(1):249-260. link
  19. Xiong Y, Gong C, Peng X, et al. Efficacy and safety of platelet-rich plasma injections for the treatment of osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Front Med (Lausanne). 2023;10:1204144. link
  20. Glinkowski WM, Gut G, Śladowski D. Platelet-Rich Plasma for Knee Osteoarthritis: A Comprehensive Narrative Review of the Mechanisms, Preparation Protocols, and Clinical Evidence. J Clin Med. 2025;14(11):3983. link
  21. Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care Res (Hoboken). 2020;72(2):149-162. link

Perguntas Frequentes

O PRP reconstrói a cartilagem já perdida?

Não há prova disso. Em um ensaio randomizado de 2021, a cartilagem evoluiu de forma parecida com e sem PRP ao longo de um ano [1]. O que estudos de laboratório sugerem é que o PRP pode melhorar o ambiente interno da articulação — reduzindo o envelhecimento das células e a inflamação —, mas isso é mecanismo biológico, não reconstrução do que já foi perdido [14][15].

Por que meu médico recomenda exercício antes do PRP?

Porque o exercício orientado tem evidência consistente para a artrose do joelho, com poucos efeitos colaterais — por isso é recomendação de primeira linha nas diretrizes internacionais [10][13]. O PRP, hoje, ainda não tem essa força de evidência [1][12].

Existe diferença entre os tipos de PRP?

Sim, e ela importa. As preparações variam bastante, e a quantidade de plaquetas injetada se associa ao tamanho do efeito [2][16]. Já entre o PRP rico e o pobre em glóbulos brancos, ambos superam o ácido hialurônico, sem diferença clara de eficácia entre si — embora o pobre em glóbulos brancos cause menos dor e inchaço após a injeção [7][17].

O PRP é perigoso?

É considerado seguro. A análise de segurança de 2026 não encontrou efeitos adversos graves; os mais comuns foram dor e inchaço leves e passageiros [7]. Ainda assim, como toda injeção dentro da articulação, deve ser feito por profissional habilitado e com técnica adequada.

Se algumas pesquisas são positivas, por que as diretrizes ainda não recomendam o PRP?

Porque as pesquisas positivas, em geral, têm qualidade variável, resultados muito diferentes entre si e tendem a enfatizar o lado positivo nos resumos [6][8]. Diante disso, as diretrizes preferem aguardar evidências mais consistentes antes de recomendar o PRP como tratamento de rotina [1][12][13].

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